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domingo, 5 de fevereiro de 2017

A importância do empoderamento da estética negra: Não é só um Big Chop!


"uma pessoa negra não precisa necessariamente deixar de alisar ou relaxar o cabelo para ser empoderada(o) . Ela não precisa vestir as roupas mais “estilosas”, não precisa ter um black power gigante, “cachos perfeitos” ou coloridos, não precisa usar maquiagens diferentes muito menos sair por aí tombando “azinimiga” (nem sequer devemos ser inimigas), mas se ela quiser,ela PODE se apresentar com uma estética diferente da usual, até por quê gente empoderada é antes de tudo livre[...]" site Géledes

Não existe um único homem que não tenha ascendentes negros no mundo.
Não é só uma questão de autoestima, é a valorização das etnias responsáveis pela miscigenação do país.  Não é só uma geração chamada de "tombamento" e muito menos a volta do cabelo cacheado/crespo à moda. É uma questão de autoconhecimento e busca do espaço social que lhe é cabível sem ser ridicularizado pelo que se é.
Quando era mais nova não entendia muito bem o que eu era, afinal de contas sou um pouco mais clara que o restante da família.  Na maioria das vezes quando eram abordados temas como história do Brasil ou algo ligado a população negra no país, eram relevados somente os aspectos menos favoráveis, e quem iria querer fazer parte daqueles que eram vistos como desfavorecidos?
Certa vez, ouvi de uma professora de psicologia da educação dizer que a autoestima de crianças devem ser cuidadosamente trabalhadas, pois as características reafirmadas  sobre ela serão carregadas por um bom tempo, ou até mesmo pelo resto da vida. E o que esperar de alguém que cresceu ouvindo que era "morena" e que cabelo crespo era ruim? Hoje vim abordar  algo que  levei algum tempo para desconstruir em mim.
E assim, começa aquele processo de querer retornar ao natural, conhecer o próprio cabelo sem todas aquelas químicas degradantes, porém nem sempre esse processo significa libertação.
Cada vez mais o tema Big Chop (também conhecido como BC) vêm sendo abordado por pessoas que apresentavam algum problema em assumir os cabelos ao natural, seja por não estar acostumado ou mesmo por não ter boas recordações de opiniões sociais impressas sobre o mesmo.
Com a onda e compreensão sobre a auto identidade negra e os movimentos sociais em prol da causa criando cada vez mais corpo perante as adversidades sociais, foi possível com que algumas vezes parecesse ser o fim da ditadura da chapinha, porém também foi possível notar, o que parecia o início da era da ditadura do big chop e texturas capilares.
E assim, muitas vezes, dentro dos movimentos que deveriam ser acolhedores, começa-se a exclusão por aqueles que optaram por "não se assumirem".
Existem diversas matérias sobre big chops, como cuidar de cabelos cacheados, quando na verdade, nem todos os cabelos formarão cachos, nem sempre gostaremos do que vamos encontrar ao final do processo e que devemos ser livres para ficarmos da maneira que for melhor para nossa autoestima. Seja ele liso, cacheado, ondulado, crespo, alisado ou tingido, independente das convenções sociais, é importante estar satisfeito com o que vê no espelho. Mulher feliz é aquela que se vê como realmente é, não como os outros gostariam de vê-la.
Lembre-se, o outro já existe, seja você mesma (o)!

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